de amesterdão

O peso dos meus pés no tapete são ainda um mero acaso na manhã. Sinto a cara e a cabeça pesadas, os olhos inchados e a boca seca. Costumo babar-me durante a noite, tenho saliva seca nos cantos da boca e uma preguiça eterna de lavar a cara. Debruço-me um pouco para a frente, dobro-me depois até quase aos joelhos e endireito-me de novo. Volto a cabeça e vejo-te pelo canto do olho. Não te vejo na totalidade e saboreio mentalmente esse olhar fechado de quem dorme, essas pestanas de homem bonito. Não és meu, mas podias ser. Se quiséssemos que fosses. Eu não quero, tu não queres, e confesso que, mesmo quando me levanto, abro a boca bastantes vezes num curto intervalo de tempo.

Ana
Portugal, Abril 2013